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CONTAR EM BARRO, A HISTÓRIA DAS CHAMINÉS ALGARVIAS.

A chaminé decorada é hoje uma referência obrigatória na ideia que temos da arquitectura do Algarve, apresentando-se como um dos símbolos maiores da região. Importa por isso proteger e dignificar não só o objecto em si, mas também aqueles que se dedicam, de alguma forma, a promovê-lo.

É nesse sentido que convém citar o trabalho de José Neto, um dos raros artesãos algarvios que se dedicam à produção de réplicas de chaminés. Com atelier aberto na Manta Rota desde 1996 é ele mesmo quem pesquisa os modelos mais interessantes na região, para depois executá-los em ponto pequeno, à escala, ao mais pequeno pormenor. A dedicação que esta arte impõe, obriga a um grande sentido de responsabilidade, tendo em conta o valor patrimonial que estes objectos representam na memória regional. E é assim que das suas mãos, do seu trabalho diário, num grande amor à arte manual, nascem exemplares de grande valor estético.
Com um tempo de produção de aproximadamente de três horas, consoante o tamanho das peças, cujos valores podem variar entre os dez e os cem euros, é na loja anexa ao seu atelier, em mercados e em várias feiras regionais que os mesmos são depois vendidos.

Esta arte está hoje algo debilitada visto não haver quem queira pegar na mesma, apesar do desejo de José Neto em querer transmitir os seus ensinamentos, contribuindo assim não só para a valorização da arte em si mas também dos objectos miniaturizados, em risco de desaparecer. Enquanto isso não acontece, é no recato da sua oficina que este artesão vai trabalhando, diariamente, tentando, como diz o slogan da sua empresa, «contar em barro, o Algarve».